Divino Espírito Santo de Enseada do Brito
A magia, o que nos ilumina tem algo como encontro e perda. É um caminho. O meio caminho que vem da memória.
Enseada do Brito
PMNT
Depois de um passeio exaustivo viagem de muitas paradas, procuramos um lugar para descansar. Eu havia comentado com minha esposa Sara que o Distrito de Palhoça, Enseada do Brito é um dos lugares que mais marcou toda a minha infância das viagens em família.
Resolvemos abastecer para um pequeno café num posto próximo e o frentista comentou que mesmo com chuva o Divino Espírito Santo vai nos guiar tranqüilos em direção à nossa casa.
Ficamos agradecidos e dissemos que só faltava a festa. E ele nos indicou o caminho para sermos abençoados na Festa do Divino em Enseada do Brito.
- Querido, vamos à missa.
Entramos em Enseada do Brito e a recordação nos levou à festa. Uma grande surpresa ao vermos a belíssima organização dos Festeiros Sr. José Lino Goulart e Sra. Maria Aparecida Goulart que não deixaram nada para depois. Belíssima programação dos festejos, que mesmo com chuva tornou a nossa viagem emocionante naquele dia 10 de julho. A festa iniciou no dia 09 e seguiria até o dia 13.
A comunidade se espalhava pela praça com barraquinhas enfeitadas, doces, quentão, canções, uma dinâmica alegre e contagiante nos levou a conhecer como a fé, os valores culturais e uma administração pública com responsabilidade faz de um festejo popular algo tão grandioso.
As organizações públicas, privadas mobilizaram-se para receber o festejo com toda a riqueza cultural necessária para marcar a Festa do Divino Espírito Santo de Enseada do Brito.
Entramos no salão paroquial onde o desfile do cortejo da coroação se fez memorável.
As bandeiras do Divino e suas guarda-bandeiras muito bem estruturadas, o casal festeiro com toda a dignidade cidadã e religiosa, e o Imperador e Imperatriz com o séquito de suas nobrezas.
Participamos da missa, e algo profundo nos tocou quando os cantadores com viola, percussão e violino se fizeram solenes e anunciaram a missa. Havia muito que não ouvíamos a verdadeira manifestação tão bem entoada. Gostamos tanto que pedimos que essa cantoria nunca mais nos deixasse, que permanecesse em nossa memória a beleza do canto dessa comunidade de Enseada do Brito onde os cantadores do povo podem entrar livres no coração de todos. A cantoria do Divino foi pouca frente à monumental beleza da indumentária e rito popular/religioso, queríamos mais. A viola, violino e percussão ainda estão presentes em todos que tiveram a oportunidade de ver e ouvir esses músicos fantásticos.
A Festa do Divino Espírito Santo foi instituída em 1321 pelos Franciscanos de Alenquer sob a proteção da Rainha Santa Isabel de Portugal cinqüenta dias após a Páscoa comemorando o Pentecostes, o momento sagrado em que o Espírito Santo veio sobre os apóstolos de cristo através do fogo. A festa rege o desejo de prosperidade a todos. Como se dava no período da colheita no hemisfério norte, a intenção cresceu no sentido da distribuição do alimento, o compartilhar da fé, o crescimento da pessoa no ato de dividir o alimento em busca da esperança, igualdade e abundância a todos. É quando o Espírito Santo se faz presente e promove a transformação.
A missa toda foi cantada, não necessitamos de acompanhamento escrito, o missal foi cumprido com toda a sua beleza e a pregação do Padre João Elias do Amaral foi perfeita. Ninguém percebeu as passagens realizadas para a coroação muito aplaudida e a entrega das chaves da cidade pelo Exmo. Senhor Prefeito Ronério Heiderscheidt e Sra. Dirce Heiderscheidt ao casal festeiro.
Os hinos entoados nos sensibilizaram muito com as belas interpretações do conjunto musical local.
Só consideramos que a manifestação popular tão intensa nos guiasse para fora da igreja com todo o seu característico rítmico. Onde estavam viola, violino e percussão e cantoria da tradição local?
Retornamos ao salão paroquial onde a banda de Santo Amaro da Imperatriz se apresentou. E foi primorosa com os arranjos do seu maestro.
Acompanhamos o desfile do cortejo imperial, a apresentação solene do casal festeiro no altar da festa com a magnífica maquete da Igreja que nos contaram, demorou três meses para a confecção.
A Festa do Divino Espírito Santo de Enseada do Brito deve ser marcada no calendário turístico/religioso como uma das mais belas festas populares que nos ensinam a responsabilidade social, cultural como um exemplo de administração pública e cidadania. Aprendemos muito e ficamos gratos. E estamos certos que retornaremos.
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